Mundo do Plástico

Cronologia - Fio Sintético
    Em 1850, Charles George, suíço, esteve a ponto de criar a primeira fibra sintética. Um século antes, Cochot e Louis Bon, na França, chegaram a enrolar fios contínuos de “seda de aranha”, realmente extraídos da gosma produzida por esse aracnídeo e, com ele, fabricaram luvas e meias com razoável resistência. Audemars, revendo tal experiência, ferveu a casca interior da amoreira na soda e adicionou-lhe sabão, tratando depois a mistura com cal dissolvida em ácido nítrico, álcool e éter, à qual juntou, finalmente, uma solução de borracha. Assim, obteve um fio ininterrupto, que não se sabe ter chegado ao mercado.

    Em 1880, quando preparava chapas fotográficas revestidas de colódio, o conde Hilaire de Chardonnet, em Besançon, produziu a primeira fibra sintética que patenteou com esta explicação, em 1884: “...une matière artificielle ressemblant à la soje”. Naquela cidade mesmo instalou sua própria fábrica de têxteis e, na Exposição de Paris de 1889, apresentou a “seda Chardonnet” com enorme êxito.

Afinal, o “Nylon”
    Infelizmente, a seda Chardonnet, extraída da nitrocelulose, era facilmente inflamável e levou a resultados desastrosos. Pouco mais tarde, os ingleses Charles F. Cross e Ernest J. Bevan, submetendo a branca e fiável celulose alcalina ao bissulfato de carbono, obtiveram a viscose. Esta mesma viscose sofreu posteriormente novos tratamentos, como, por exemplo, sua transformação em acetato de celulose, e então surgiram no mercado vários tipos de “rayons” sob marcas diferentes.

    Por volta de 1930, os químicos alemães conseguiram dominar a polimerização industrial e, extraindo a acetona do PVC, produziram uma massa de fiação que, pressionada numa tubeira, solidificava-se em fios e fibras. Chamou-se a essa fibra PC, que possuía muitas vantagens, como as de ser insensível a ácidos, água e agentes de putrefação. Infelizmente, não podia servir para vestidos e costumes: a simples lavagem em água quente e o ferro de passar representavam para ela “perigo de vida”.

    O criador da fibra inteiramente sintética – liberta da celulose – foi o Dr. Fritz Klatte que, já em 1913, na fábrica de Griesheim, conseguiu produzir em escala industrial o cloreto de vinilo, então só conhecido como preparado de laboratório. No entanto, por essa época, não se sabia como levar o cloreto de vinilo ao estado sólido, de polimerizá-lo de forma racional. Quase nada se sabia sobre substâncias altamente polímeras.

    A solução final para toda a indústria sintética de fios foi dada por um jovem e brilhante químico norte-americano, Wallace Hume Carothers que, com seu auxiliar John Hill, em 1929, nos laboratórios da Du Pont, criou o “nylon”, material que não contém a menor parcela de celulose. O “nylon” pertence à família dos termoestáveis – as poliamidas – em cuja composição entram, a grosso modo o fenol, ácido nítrico, óleo de rícino e soda cáustica. Era algo absolutamente novo, virgem. Os mais sóbrios cientistas saudaram o “nylon” de Carothers “como a mais importante descoberta química desde o processo de Fritz Haber para extrair nitrogênio do ar”. A fibra começou a ser vendida às fábricas de meias em maio de 1940.

    Quatro anos antes, nos mesmo laboratórios, Carothers, admirável arquiteto de moléculas, criara um produto muito semelhante à borracha natural, o isopreno. A nova molécula foi o cloropreno, devido ao cloreto que continha, em substituição ao hidrogênio do isopreno. Atribui-se a Carothers, por causa do cloropreno e do “nylon”, a consolidação da técnica de polimerização, isto é, o processo de enganchar uma molécula a outra, soldagem molecular que se produz através de calor e pressão, na presença dos mais diversos catalisadores.





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